Em contraste com a falta de verbas para serviços públicos essenciais, campanha eleitoral torra quantias astronômicas, que se fossem empregadas em prol da comunidade fariam mais diferença do que o próprio mandato dos candidatos.
Enquanto faltam, entre outros, merenda de qualidade, material hospitalar, e a conclusão de obras municipais essenciais, verdadeiras fortunas são gastas com fogos de artifício, militância paga, doação de combustível, colocação de diversas placas de um mesmo candidato em um só local. Essa prática que afronta a sociedade deixa um questionamento: afinal, de onde vem tanto dinheiro? Como eles vão recuperar todo esse “investimento”?
Em um mesmo terreno próximo à UPA, nada menos que seis placas fazem a publicidade de uma só candidata. Excesso de recursos na campanha eleitoral ou falta de outros lugares para divulgação?
Candidata pede carona
Em algumas cidades onde os grupos políticos com mandato apoiam seus candidatos, o próprio poder público municipal não mede esforços em fazer campanha junto aos funcionários das prefeituras, seja subliminar ou diretamente. Servidores são “convidados” a aceitar o adesivamento de seus automóveis e cederem espaço em suas residências para a fixação de placas. Também, a presença dos mesmos em comícios e reuniões é obrigatória, sob pena de participarem de uma chamada suposta “barca”, que deverá “zarpar” a partir do dia 6 de outubro, segundo relatos.
Em Araruama, onde a esposa do prefeito é candidata a deputada usando a cor rosa como sua marca registrada, recentemente foi contratado um exótico ônibus para o transporte universitário dessa mesma cor. Além disso, a subsecretária de governo e coordenadora de Infância e Juventude, responsável pela admissão de novos estudantes, usou a lista de e-mails oficial dos beneficiados pelo programa municipal para convidá-los a participar de uma reunião para ouvirem a primeira-dama. Também nos ônibus oferecidos é comum encontrar “esquecidos” nos bancos, farto material de campanha da candidata Márcia Jeovani.
Alguns beneficiados, ao se sentirem pressionados e incomodados com tais ações, enviaram as fotos para a nossa redação comunicando o fato, pedindo anonimato por temerem que se repitam casos de perseguição, prática comum, segundo eles.
PRE/RJ processa Garotinho e outros políticos por abuso de poder
PRE pede cassação de registros e réus inelegíveis até 2022
A Procuradoria Regional Eleitoral no Rio de Janeiro (PRE/RJ) propôs ação contra quatro políticos do Partido da República (PR) por abuso de poder político e econômico cometido em um evento em junho em Duque de Caxias. Os réus são os vereadores locais Serginho Corrêa, Dr. Maurício, o deputado federal Anthony Garotinho (candidato a governador) e o vereador no Rio de Janeiro Márcio Garcia. Na ação, a PRE/RJ pede que os quatro sejam punidos com a inelegibilidade por oito anos (até a eleição de 2022) e com a cassação dos registros de candidatura, seguindo a lei atualizada pela LC 135/2010 (Lei da Ficha Limpa).
Fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RJ) impediram o evento após constatar diversas irregularidades numa reunião política no ginásio esportivo do Clube dos 500. Entre as apreensões feitas pela equipe do TRE, havia um ofício do vereador Serginho, 1º secretário da Câmara Municipal, pedindo ônibus destinados ao transporte de eleitores ao evento. Convites virtuais e outros registros na internet também são citados como provas da irregularidade numa “reunião com o nosso futuro governador Garotinho”, nos termos do convite.
Para a procuradora regional eleitoral substituta Adriana Farias, autora da ação, o abuso do poder econômico fica caracterizado pelas quantias investidas no evento, como os aluguéis do ginásio, de dez ônibus e do sistema de som. A investigação do TRE apontou ainda que cada participante receberia R$ 30, sendo que o público que compareceu foi estimado em mais de duas mil pessoas. Mesmo com a equipe do TRE tendo impedido a realização do evento, basta a utilização do poder econômico com abuso e a influência do poder político para ficar caracterizado o ilícito eleitoral.



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